Caramba, já é fim de ano. Os anos estão passando muito rápido, mas este 2008 foi realmente ligeiro.
A gente pisca o olho e pronto. O ano já se foi e não fiz nada que preste. Só sobrevivi. Vida besta, viu?

Mas então que ontem, à noite, eu tava falando sobre essa "pressa anual" (isso foi horrível, eu sei) com a patroa enquanto assistia TV. Tentávamos encontrar um motivo para o tempo estar tão acelerado. Eis que de repente (não mais que de repente), surge um comercial do Governo de São Paulo que dizia: "o ano não passou muito rápido. O Governo de São Paulo é que fez muita coisa".

A-hááá!...Então foi isso.

Confesso que eu não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra e fiquei meio assustado com a oportuna resposta da TV. Mas não importa. O mistério foi revelado e a culpa é do governo. Já que ele é tão importante no curso do tempo, como diz o comercial, talvez devesse se dedicar a "projetos de lei da relatividade" em vez de bobagens como segurança, educação, saúde e transporte.

Bom, deixa eu ir embora que o tempo passou e eu nem vi. Olha aí a bosta do governo atrapalhando de novo.
Humpf!

No Words...

"Tatuagem de henna só se faz no Natal."

Rá! Pescou?! Henna...renas...trenó...Natal...
Boa, né? Obrigado.

Surrealismo

O dia hoje começou muito estranho. O elevador já me esperava no saguão. Ao chegar no térreo, a porta do elevador foi aberta, antes que eu a empurrasse, por um dos seguranças que queria entrar. Subi a penosa escadaria que dá acesso a avenida. Nuvens escuras e nervosas no céu. As ruas estavam incrivelmente vazias. O semáforo, caprichosamente, estava fechado e atravessei sem precisar parar.

Meu amigo taxista – minha salvação quando perco a hora – já está no ponto de táxi e me cumprimenta de longe, com um aceno apenas. Com exceção de um ou outro carro que passava, meu caminho até o ponto de ônibus foi tranquilo demais. Mais que isso. Foi silencioso demais. Não havia um canto de pássaro sequer. Um vento fresco, resquício de uma noite chuvosa, batia em meu rosto trazendo o cheiro de terra úmida.

Cheguei ao ponto de ônibus, que sempre tem ao menos meia dúzia de pessoas aguardando suas respectivas conduções. Também vazio. Apenas eu e uma mulher. Procurei com os olhos por algum outro ser humano. Na curva da avenida, lá na frente, mais uma pessoa caminhando. E só. "Será feriado?" Olho a data no meu celular. Não, não é.

Meu ônibus chegou no horário de sempre. Entrei, cumprimentei o motorista e o cobrador, como de costume. E percebi que o ônibus estava também estranhamente vazio. Geralmente, há lugares vazios mas, hoje, haviam vários disponíveis. Dava pra escolher onde sentar. Ajeitei-me junto à janela e, durante a longa jornada até o trabalho, fiquei a observar o fraco movimento no interior do ônibus. Alguns poucos rostos conhecidos adentram o veículo, se cumprimentam e se acomodam. As ruas já não estavam mais vazias mas, ainda assim, o movimento era bem menor que o habitual. Adultos, crianças, automóveis...o vai-e-vém matutino paulista. Onde estão todos?

Na janela, o sol dava suas caras meio sem jeito, pintando de dourado as bordas das nuvens pesadas. De repente uma gota de chuva bate no vidro e me assusta um pouco. Espero pelo início da chuva, mas ela não vem. Foi só uma gota. Uma única e solitária gota. Sinto uma ansiedade me apertar o peito.

Cheguei no prédio onde trabalho. Poucas pessoas entrando. Fora isso, tudo normal.
O sol apareceu um pouco mais, trocando a brisa fria por um calor acolhedor. Acendi um cigarro, como sempre faço, e fiquei ali, na entrada do prédio, tentando entender essa manhã estranha.

Talvez nada tenha sido tão estranho assim. O tempo chuvoso talvez tenha feito as pessoas dormirem até um pouco mais tarde. Talvez hoje tenham começado as férias escolares. Há vários motivos pra achar que tudo está como antes. Mas é algo dentro de mim que me incomoda. Essa sensação de que o dia está diferente. Está um tanto surreal. Mais que o dia de fato, é esse sentimento de que algo hoje está fora do padrão.

Será que há algum significado nisso? Uma coisa é certa: hoje é especial. Mas eu não sei porque e talvez nunca saiba. O pior é que isso vai ficar na minha cabeça até a noite. Que saco. Quisera eu poder decifrar esses pequenos mistérios que a vida nos oferece...

Como eu comecei esta merda sem falar uma coisa que preste mesmo, nada como a arte de cutucar o pinguim pra distrair. Várias vezes é ainda melhor.

Eu confesso. Gosto da Rede Globo. E sei que tem uma pá de gente que também gosta e finje que não. Mas eu assumo: gosto mesmo da Globo. Eu até me arrisco a ver outras emissoras, de vez em quando. Mas sempre acabo voltando pro velho "canal 5" (aqui em sampa). Tá, é uma emissora meio hipócrita, tendenciosa, monopolista e cheia de programinhas "mais-do-mesmo". Mas ainda assim, eu acho melhor que as concorrentes.

É inegável que ela tem mais "qualidade", embora eu não me sinta confortável em usar um termo que eu não sei se tenho condições técnicas pra usar. Claro, ela tem mais recursos, mais grana, etc. Mas isso tudo têm uma relação direta com o sucesso. E o sucesso é comprovado pelas próprias emissoras concorrentes, que tentam a todo custo copiar a fórmula da Globo. E copiam mal.

Dia desses, eu tava vendo o Programa do Gugu e lá tem um quadro que é uma imitação do "Lar, Doce Lar", do Caldeirão do Huck. Na intenção de fazer algo "diferente", apelaram pro emocional, como o SBT sempre costuma fazer. Resultado: o quadro é chatíssimo, arrastado e cheio de melodrama. Eu doido pra ver a casa sendo feita, decoração e tal...e só via gente chorando e enrolação. Não aguentei ver até o final porque parecia que não ia ter final. Bons tempos aqueles em que o Domingo Legal apelava pras bundas da mulherada no quadro "Banheira do Gugu".

E agora virou moda os "programas-lavanderia", onde botam qualquer um na frente do palco pra discutir seus problemas, sejam eles conjugais, sexuais, de comportamento, etc. E entra no bate-boca o cônjuge, os filhos, vizinhos, a apresentadora, a platéia, "psicólogos"...

Fala sério! Alguém realmente acredita que aquilo é real??? Mesmo se eu estiver MUITO enganado e for tudo verdade, não é algo legal de se ver. Assistir gente simples e - muitas vezes - sem instrução, ficar expondo sua vida pessoal daquela forma, tendo que ouvir a "opinião" de gente "interessada". Tem que ser muito estúpido pra concordar em participar de um programa igualmente estúpido. E isso é deprimente.

E as novelas? A qualidade da Globo é inquestionável. É verdade que as novelas estão passando por uma crise. Acho que as pessoas estão cansadas dos clichês desgastados. Mas não tô falando das tramas, mas de todo o conjunto. Atores, direção, cenários, etc.Quando se trata de novela de época então, a Globo é imbatível.

Eu tô vendo Pantanal, quando a patroa não me deixa ver outra coisa. Acho que é a única novela que ficou à altura das globais. Mas têm uns excessos irritantes. Repetem muito aquelas cenas de jacarés, chalana, pôr-do-sol e toda a fauna e flora pantaneira. Chegam ao absurdo de tocarem uma música inteira (INTEIRA mesmo) enquanto desfilam pela tela o mesmo Tuiuiú viado, aquele bezerrinho desgarrado e desgraçado, o mesmo João-de-Barro-Corno, a Sucurí do velho do rio...um videoclip completo!Uns quatro minutos de imagens repetidas à exaustão!

A Globo também tá cheia de porcarias: o desbocado Faustão gritando na nossa sala durante as tardes de domingo, o Cid Moreira com aquele jeito sobrenatural de narrar (acho até que ele já tá morto, só esqueceram de avisá-lo), o pé no saco que virou o "Arroz Total", as matérias vagas e recicladas do "Fanáticos", o mala sem alça do Serginho Groissman e seus aborrecentes acéfalos ("eu queria sabê qual o papel que cê mais gostô de fazê e o que menos gostô!") e mascadores de chiclete do Altas Horas. Sem contar a exploração do "Seu Madruga", que enche o saco de qualquer ser vivente com aquela choradeira e aquela conversa mole.

Eu tô falando demais e anda não disse o que realmente quero falar. Apesar de gostar da Globo, não estou aqui defendendo a emissora. Só estou dizendo que, das tantas outras ela é a melhor, ou a menos ruim. Ou, vai ver, eu é que me acostumei com aquela porcaria. Claro, é uma opinião pessoal baseada "em minha pessoa" e no meu formidável (cof!) e imparcial (cof, cof!) senso crítico.

Mas, então. Acontece que eu tava vendo uma chamada na Globo convocando as pessoas a gravarem um vídeo cantando a centenária musiquinha de fim-de-ano da emissora ("hoje, é um novo dia, um novo tempo, que começou..."). Depois encaminha-se o vídeo pra Globo e, se tiver "sorte" de ser escolhido, ele vai passar durante a programação! Uia! Não é maravilhoso? Uma oportunidade única! E o que você ganha? Ganha nada, ué! Só o "prazer" de ser usado pelo marketing da Globo e ter o videozinho tosco com você e seus amigos desocupados e abestalhados desafinando "a festa é nossa" em rede nacional!

Seu mal agradecido! 8P

Quino (cartunista e criador da saudosa Mafalda), confessou numa entrevista que os Beatles estragaram-no musicalmente, porque ele não consegue gostar de nada que não tenha sido composto pelo quarteto de Liverpool.

Eu posso dizer o mesmo sobre a minha relação com a música dos anos 80, principalmente o rock. Uma década de explosão de criatividade, de excessos, de modismos, de estilos. O som da sua banda tem algo de diferente? Não se encaixa em um estilo específico? Crie o seu! Gêneros e sub-gêneros foram criados em prol da exclusividade. Uma forma de obter um lugar num espaço cada vez mais cheio. O heavy metal foi, talvez, o gênero mais subdividido. Contem comigo: trash metal, death metal, black metal, white metal, speed metal, power metal, doom metal (este, já no início dos anos 90)...acho que nenhuma siderúrgica tem tanta variação desse elemento mineral.

O exagerado apelo visual foi outra forma de chamar a atenção. E bota exagero nisso. Os enormes cabelos "bolo-de-noiva" e os ternos largos do new wave; toneladas de tachas, pregos, correntes para os metaleiros; maquiagem, fitinhas coloridas, cabelos armados e calças super apertadas para o pessoal do hard e do glam rock. E havia também o visual "me-come-senão-eu-canto" da Madonna e o "menina-despirocada-do-gueto-nova-iorquino" da Cyndi Lauper (que, alíás, fez um showzaço quando passou aqui em São Paulo). Tem também o "punk-mauricinho" do Billy Idol, os "andróides-não-têm-noção-do-ridículo" do Devo. Vixe...a lista é looonga. Apesar do visual apelativo, as músicas eram boas e contagiantes, não importa se era pop (Michael Jackson), dance (C&C Music Factory) ou gótico (Sisters of Mercy).

Hoje, o visual não importa tanto. Isso não é ruim, embora deixe tudo meio sem graça. Alguns talvez pensem que a falta de um visual mais – digamos – elaborado, seja compensado com mais dedicação à boa música. Mas não é o que acontece. As bandas de rock de hoje não têm graça nem carisma. O som está mais simples e, o que poderia soar como "mais sincero" ou mais "autêntico", decepciona. As músicas são mais descartáveis. Não há "aquela" música "daquela" banda, que ficará na cabeça durante anos. Os clássicos são coisas do passado.

Até mesmo as bandas que tentam inovar, não convencem. Link'n Park (é assim que se escreve isso?) tem um vocalista formidável, mas rock com rap sempre vai soar esquisito. Só deu certo com o Aerosmith e o Run DMC. E com UMA música só: Walk This Way. O heavy metal e o hard rock foram-se pra sempre. As bandinhas de hoje não duram dois CDs. E as musas pop então...cadê? Britney Spears? Afvrils Laviguinhe? Há também outras menininhas-loirinhas-bonitinhas que nem me importo em saber o nome, que fazem uma maçaroca entre o pop-rock-country-R&B. A sede de agradar ao maior número de pessoas possível está criando esta nova onda de artistas sem personalidade e de pouquíssima - ou muito diluída - inspiração.

Talvez a febre do MP3 tenha uma boa parcela de culpa nessa chatice em que se encontra a música internacional atual. O disco de vinil sempre contribuiu para o sucesso de artistas e bandas. Verdadeiras obras de arte – principalmente no mundo metaleiro – o visual dos discos era um convite para ouvir a "bolachona" do início ao fim, deitado no sofá da sala, enquanto se procura curiosidades nos detalhes da arte da capa, ou frases engraçadas nos créditos do encarte.

Não há mais esse vínculo – quase uma cumplicidade - entre artista e público. Tudo o que resta hoje são músicas soltas e solitárias na "grande rede". E uma música só, dura apenas poucos minutos. Mesmo que agluém tenha a discografia completa de um artista em MP3, ela passa despercebida dentro do HD, porque falta algo mais "material".

Isso é triste. São por essas e outras que, quando quero escutar música, me tranco no meu "mundo oitentista". Um mundo de exageros, de alegria, de histeria...de solos de guitarra. E "numb", "confortably numb".

Testando...1...2...3.

Será que funcionou? Sei lá. Só vendo.

O Início

Está no ar o Idiossincrasia Crônica. E eu sou Áureo, um paulista que, embora tenha nascido e vivido "no avesso do avesso do avesso do avesso" por quase quarenta anos, sente-se cada vez mais deslocado e desencantado com o caos da maior metróple do Brasil. Muito prazer.

Indo na contra-mão da moda dos blogs engajados, políticos, religiosos, jornalísticos, etc, este lugar é um registro de momentos vividos, de alegrias, de tritezas, de situações inesperadas.

É uma válvula de escape onde descarrego minha fúria - nem sempre justa - contra tudo o que me aborrece. Mas é também um lugar onde falo de coisas que me agradam. Aqui tudo se mistura: sonhos, raiva, amor, saudade, esperança, desencanto, ironia, humor, tragédia. Sem papas na língua e sem hipocrisias. E quase sempre em forma de crônicas.

Claro, também é um lugar pra meus contos, satisfazendo meu ego de pseudo-escritor e meus desenhos, quando achá-los, digamos, publicáveis.

É isso. Sintam-se em casa e vamos ver no que vai dar.

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