Então que, ontem, vi o filme “Cruzada” na TV aberta e resolvi registrar as minhas impressões sérias (!), técnicas (!!) e inconsequentes sobre a superprodução.
Já começo bem, dizendo que não entendi lhufas. Acho que o tema merecia um filme mais longo e com o roteiro mais desenvolvido. Ou isso, ou sou muito burro. Tudo acontece muito rápido no filme e explicações importantes da trama são dadas numa fala apenas de um ou outro personagem. Tive que ler um pouco sobre as Cruzadas pra entender o que se passou.
Durante a Idade Média, quando Jerusalém foi tomada dos muçulmanos pelos cristãos, a igreja católica reuniu um bando de guerreiros armados até os dentes e enviados pra “Terra Santa” a fim de garantir a segurança dos habitantes do lugar. Esse deslocamento militar ficou conhecido como “a Cruzada”.
A primeira Cruzada deu um chega pra lá nos muçulmanos em Jerusalém. Estes, por sua vez, se achavam (e com razão) no direito de reaver a cidade e não estavam dando sossego aos cristãos. O Papa resolve, então, mandar uma segunda Cruzada lá praquele infern...digo, pra Terra Santa.
É nesse período que o filme se passa. Orlando Bloom é Balian, um ferreiro que, depois do suicídio da esposa, fica meio revoltado e descrente, levando tudo “a ferro e fogo”. Rá! Tá, desculpem... Ele conhece seu pai (Liam Neeson), um cruzado que está indo pra Jerusalém e, pra não ficar na vadiagem, Balian acaba indo também.
Balian é sortudo e azarado ao mesmo tempo. Sem experiência alguma na arte da guerra, ele sobrevive a um ataque, mas seu pai é ferido gravemente e acaba morrendo no meio do caminho. Já nomeado cavaleiro, o ferreiro cruza os mares em direção a Jerusalém, mas seu navio afunda durante uma tempestade e só ele sobrevive (!) e já do outro lado do mapa (!!).
Após passar por mais uns perrengues pelo deserto, Balian chega a Jerusalém, onde toma o lugar que era de seu pai. Ela ganha o respeito do rei Balduíno IV, um leproso mascarado, literalmente falando. O rei, diplomata e bom de papo, vem conseguindo, até então, manter um certo diálogo com os muçulmanos.
Balian conhece também Sybila (Eva Green), uma gost... uma linda mulher, irmã do leproso e esposa de outro cruzado, Guy de “sei-lá-o-quê”. E que parece ser a única mulher em todo o filme. Esse tal Guy queria mesmo é descer a porrada nos muçulmanos e criticava o jeitão boa praça do rei. Enquanto isso, o líder muçulmano, Saladino, anunciava que tava chegando na área e que a casa ia cair pros cristãos.
Não vou contar mais. Há pontos discutíveis, como o monstruoso exército de Saladino atravessando o deserto sem pelo menos uma dúzia de caminhões-pipa cheios d’água na retaguarda, ou a burrice do Guy em sair com sua tropa para a guerra, no meio do nada, sem ao menos uma garrafinha de água mineral de reserva.
O resto é espetáculo de encher os olhos. Espadas, sangue, flechas, fogo, explosões. Tudo que um épico tem direito.
É um bom filme mas, como disse, se não conhecer um pouco sobre as Cruzadas antes ou depois de vê-lo, fica difícil entender em poucos diálogos "o quê" e "por quê" as coisas estão acontecendo.
Como todos já sabem, o conflito cristãos-muçulmanos continua até hoje naquela porcaria de lugar. Lição? Até tem: guerra, religião, política e – principalmente – o ser humano, são tudo uma grande bosta.