Poder pegar uma van pra ir de um lugar a outro é muito bom. Na hora do rango, melhor ainda. Aqui, na frente do trampo, ficam estacionadas umas vans que levam os trabalhadores - daqui e adjacências - para os principais restaurantes e shoppings da região. E na faixa.
Vez ou outra eu acabo precisando pegar uma dessas "peruas de luxo". Seria tudo maravilhoso, não fosse um detalhe crucial. O som que rola nos rádios/CD player desses malditos carros. Pagode. Sertanejo. Quando não é um, é outro. Ou ambos. Sertanejo. Pagode.
Tá, a van não é minha e o motorista escuta o que ele quiser. Mas por que tem que ser SÓ isso, Jesus? Eu não gsoto de pagode nem de sertanejo. Não odeio sertanejo. Simplesmente não gosto. Depois de Chitãozinho e Xororó, não existe mais música sertaneja. E foram eles mesmos, alías, que começaram a estragar tudo, querendo deixar o gênero mais produzido e "acessível". Hoje em dia, o que se ouve por aí são históriazinhas "super" interessantes sobre guardas que dormem na praça, ou coisas assim. Pagode é mais difícil de engolir, principalmente aqueles românticuzinhos e cheios de clichêsinhos tão bem representados no Casseta e Planeta: "liga pra mim / que o meu coração / vai te pegar / e eu vou chorar".
Quando não é isso, são aqueles forrós malditos e seus derivados, como a banda Calypso, com aquela vocalista que canta como uma cabra durante o abate. Sim, ela é um carnão. Mas esse detalhe de nada vale no rádio. Então que é isso. Nas vans só se ouve pagódji, sertanêijo e Calips.
Há dias em que pinta uma daquelas rádios com "música de elevador", tipo Alpha ou Antena 1. É um alívio. "Se fuder, Áureo! Quem vê pensa que você só gosta de boa música!" Boa música? Rá! Também tô longe disso. Gosto de rock. Gosto muito mesmo. Do tradicional ao mais pesado heavy-trash-death metal. E 80% das letras dessas músicas são pura bobagem. Mas gosto de muita coisa pop e até de um ou outro pagode (Zeca Pagodinho, Martinho da Vila) e alguns sertanejos também (Leandro e Leonardo).
Por isso, não estou aqui levantando bandeira nenhuma, mas apenas dizendo que é raro achar uma van em que o motorista goste de algo além de pagode e sertanejo. Será que ele pensa que todos os passageiros gostam de ficar ouvindo que a dupla bebe "pra carái"?
Uma vez. Apenas UMA vez entrei numa van que tocava rock. Mas nem vou tocar no assunto porque é tão raro que vão achar que é mentira.
Mas não é sobre isso que eu quero falar...Ah, tá!.
É que, dia desses, peguei uma van onde o motorista estava escutando o Pânico. Bom, há alguns anos que eu não ouço rádio (exceto quando é inevitável). Não tenho paciência pra ficar ouvindo comerciais e músicas que pensam que eu gosto. Nem mesmo a Kiss Fm (a melhorzinha). Prefiro meus MP3...
Tô fugindo do assunto de novo...o cara da van tava ouvindo Pânico, no rádio. Fala sério! Que tremenda bosta de programa. Um falatório, discussões, não toca uma música sequer. Só idiotices e piadas internas, que apenas quem tá lá, ao vivo, entende. Me erra! Eu fiquei ouvindo aquela gritaria, aquele blablabla interminável...acho até que aquela gostosa da Sabrina Sato trabalha lá. De que adianta, se não dá pra ver a bunda dela em "frequência modulada"?
E o motorista sequer esboçou um sorriso a viagem inteira! Que é isso?! Tortura? Gosto não se discute - se lamenta, eu sei. Mas, pelo amor de Deus. Um programa que não diz nada, não informa nada, não toca nada, só tem bobagens que ninguém ri... Pra que serve uma merda dessa? Pior, por que alguém ouve isso? É lamentável saber que a estupidez gratuíta tá fazendo tanto sucesso.
Por isso que sempre ando com meu querido e amado celular/mp3 na orelha (os fones!). A não ser quando a bateria me deixa na mão e sou obrigado a passar por esses castigos aí em cima. 8/
Fui xeretar numa loja de decoração, ontem.
_Posso ajudar, senhor?
_Obrigado, moça. Mas tô só dando "uma umedecida"...
_Como?
_Tô só dando "um'olhadinha"...
_?!...
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Neste fim de semana fui no Carrefour, aqui de Pirituba.
Como não há muitas opções no bairro (exceto pra quem tem carro, claro), praticamente bato cartão lá. E cada dia me decepciono mais com aquela porcaria. Que lixo de hipermercado. Tudo muito sujo, bagunçado, corredores estreitos, falta de novidades...
Já dei um pulo no Carrefour de Osasco e achei bem melhor administrado.
Quanto a preços eu não posso falar porque, estando a pé, pesquiso pouco. É claro que as coisas seriam diferentes se houvesse um concorrente por perto. Tem o Extra, da Anhanguera, mas ele não é tão "por perto" assim. Aí nós, pobres-pedestres-pobres, temos que nos contentar e ir levando na base do "não tem tú, vai tú mesmo".
Pois bem, voltando a frase inicial do post:
Neste fim de semana fui no Carrefour, aqui de Pirituba. Na entrada, peguei um carrinho. Não que tivesse que comprar muita coisa, mas encontrar aquelas cestinhas de plástico naquela zona é perda de tempo. E de humor. Então peguei um carrinho mesmo. Peguei um. Tava ruim, com uma das rodas praticamente travada de tanto plástico enroscado nela. Peguei outro. Imundo. Peguei o terceiro. Uma das rodas tava quebrada. Não tanto a ponto de não conseguir andar, mas ele mancava feio e fazia uma barulheira danada. Algo como "prác-prác-prác-prác". Tamanho desleixo me irrita demais.
Não tive dúvidas. Peguei o carrinho manco mesmo e fui pra dentro do mercado (prác-prác-prác-prác) com os fones no ouvido mas com o celular desligado, fingindo que tava escutando música (prác-prác-prác-prác). E passava em frente dos seguranças (prác-prác-prác-prác), dos monitores (prác-prác-prác-prác), dos caixas (prác-prác-prác-prác), dos repositores (prác-prác-prác-prác) e dos clientes (prác-prác-prác-prác). Fiz questão de dar um belo passeio pela loja. Como o carrinho tava quase vazio, o barulho era infernal. Chamei a atenção de todo mundo.
Mas não a ponto de algum funcionário se oferecer para trocar meu carrinho. Dei meu passeio, fiz minhas compras, fui até a fila única dos caixas rápidos (onde o painel eletrônico nunca funcionou e os caixas têm que ficar gritando "próóóóximo!"). Paguei (prác-prác-prác-prác), saí daquele "mercadinho de quinta" e fui-me embora.
Fiquei com a sensação de dever cumprido, embora tenha quase certeza de que não vão substituir o carrinho manco. Talvez quando ficar manco da outra roda também e não sair mais do lugar... 8/
Bom, depois de tanto barulho dentro do Carrefour, nada como ligar (realmente) o meu celular e voltar pra casa ouvindo toda a tranquilidade de "Angel of Death" do Slayer "...angel of deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeath!...". 8)
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Este blog não era pra ficar parado deste jeito. Juro que não. Mas estou passando por uns problemas por aqui e isso tá me tirando a inspiração, o sono, a fome e o ânimo. Problemas pelos quais temos que passar, embora não esteja nas nossas mãos resolvê-los. Essas coisas incomodam pra caramba.
Mas, assim que as cosias sossegarem, prometo mais posts. Nem que seja um conto ou crônica bem sinistra. 8P
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Como toda boa classe média-baixa, eu tenho uma máquina de lavar roupa. Legal, né? Pois então. E eu sempre vejo a patroa esfregando roupas no velho e bom tanque, antes de colocá-las na máquina. Eu nunca entendi isso. Já comentei com ela "por que você fica aí esfregando (e esfregando) se vai botar a roupa na máquina?". E ela responde "ah, mas precisa, porque senão não lava direito". Eu fico indignado. Maior nota preta na tal máquina e ela não lava direito. O que é pior: a máquina tá boa, o que significa que o "lavar direito" dela é "não lavar direito". Deu pra entender? Tipo, o normal da máquina é ser ineficiente.
Bom, minha mulher me explicou que, certas áreas das roupas – embaixo dos braços de uma camisa, por exemplo - ficam manchadas e aí, só no esfrega-esfrega, porque a máquina apenas enxágua e centrifuga. Eu não sabia exatamente o que isso significava. Sempre quis ver esse processo de perto, mas a lavadora de casa é daquelas com abertura na frente, tipo escotilha de navio, entende? Ia ser engraçado ficar deitado no chão, de frente pra geringonça, só pra vê-la funcionar. Sou meio maluco, eu sei. Mas só MEIO por enquanto.
Ontem, hospedado na casa de minha sogra, fui bater papo com a patroa, na lavanderia, enquanto ela lavava "umas indumentárias" (vixe!). Eis que me deparo com uma máquina de lavar. E a máquina tinha abertura na parte de cima! E a tampa era transparente! Era o que eu precisava pra ver as entranhas da estrovenga trabalhando. Depois do esfrega-esfrega, minha mulher colocou as roupas na máquina e a ligou no modo mais econômico: uma "lavada leve" um "duplo enxágue" e uma centrifugada.
Meti os cotovelos na tal máquina e fiquei lá, observando. E haja água pra encher aquele baita tambor. Depois de cheia, a máquina começa: gira um pouquinho. Pára. Joga uma aguinha. Gira pro outro lado. Pára. Joga uma aguinha. Gira pro outro lado. Pára. Jogua uma aguinha... Foi assim até o final da etapa "lavada leve". Depois toda a água foi escoada e a máquina começou a encher novamente. "Vamos ver como é esse "duplo enxágue"", pensei. Pois bem. O "duplo enxágue" é: gira um pouquinho. Pára. Joga uma aguinha. Gira pro outro lado. Pára. Joga uma aguinha... Exatamente a mesma coisa que a etapa anterior. Pensei que, ao menos, ia fazer isso duas vezes (duplo enxágue, né?). Nem. Foi uma vez só. Então veio a "centrífuga". Aí sim fiquei impressionado. O tambor de roupas gira de modo impressionante, tirando todo o excesso de água das roupas, de modo bem mais eficiente que as tradicionais "torcidas" manuais.
Papo chato esse, de ficar descrevendo o funcionamento da máquina de lavar da minha sogra (e de tantas outras). Mas o que eu quero dizer com tudo isso é que, ao observar a máquina trabalhando, me senti frustrado. O aparelho nada faz além de molhar a roupa e ficar girando-a, de um lado pro outro. Provavelmente, lá no meu apê, a minha faz a mesma (pouca) coisa.
Tirando a eficiente centrifugação, dá pra reproduzir todo o processo da máquina com um tanque cheio de água e um cabo de vassoura – ou o próprio braço - pra ficar girando a roupa pra lá e pra cá.
Eu fico pensando na minha mãe, na época "das vacas magras", esfregando-esfregando-esfregando, colocando "de molho" no sabão em pó, depois esfrega de novo, enxágua e etc, etc, etc... Hoje em dia, eu tenho um aparelho caro, de manutenção cara, que faz menos do que minha pobre mãe.
Talvez o que acabe valendo seja o tempo – um item valioso hoje em dia - economizado. Enquanto o trambolho ta lá, brincando com a roupa, a gente pode fazer outras coisas. Mas, não sei. Ainda assim acho pouco retorno pro investimento.
Então, quando você ver sua mulher esfregando roupas pra colocar na máquina de lavar, encha o peito de orgulho, pois você pagou caro pra ela fazer isso. 8/
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Ontem à noite choveu. 8)
Ontem à noite choveu muito. 8))
Ontem à noite choveu a cântaros. 8)))
Ontem à noite eu consegui dormir legal. 8))))
Deus ainda me escuta, vem em quando! 8)
"Quando tudo parece horrivelmente quente, de repente, me vejo dentro de um caldeirão. Me ajeito perto de outro coitado, uma coitada aliás. Os olhos dela fitando um ponto além do caldeirão. Não há água, exceto o suco viscoso que verte de todos os desafortunados que – como eu – também foram jogados no escaldante destino. Encosto e deslizo no corpo melado da minha companheira de caldeirão. O ar é quente. Pesado. Sufocante. A grande panela balança vez ou outra, jogando-nos um ao outro. A visão fora do caldeirão é de imagens turvas, dançantes, derretidas.
Entram mais condenados. Se amontoam perto de mim. Alguns ainda bem crus, trazem um pouco do frescor de um freezer. Muitos, porém, já foram dourados, flambados, pré-cozidos. A cada chacoalhada da panela ouço gemidos, suspiros secos. Rostos em transe. Gotas quentes pingando das carnes e nas carnes. As peles parecem descolar. Tudo gruda. Membros pegajosos. Faces disformes. Entrâncias escorregadias.
Não falta muito agora. Estamos quase no ponto."
O texto acima podia ser sobre o destino de pobres camarões numa panela. Mas é apenas como me senti ao pegar o ônibus hoje à tarde, antes de vir trabalhar. E a chuva ameaça, passa pelos pobres paulistas e – caprichosamente – vai embora, sem deixar um pingo sequer. Safada.
E pensar que meu querido inverno ainda tá looonge!... 8(
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É que durante as minhas costumeiras paradinhas no trabalho, eu fui até a rua fumar um cigarrinho e pensar na vida. Acontece que fiquei perto de um pequeno jardim, sob a sombra de uma árvore. O jardim tinha uns...10 metros quadrados, talvez. E, saindo do jardim, vi uma pequena formiga.
Como eu estava num momento de introspecção (nào confundam com depressão, por favor), foi inevitável começar a comparação entre nós e as formigas.
A gente faz altos planos para conhecer os quatro cantos da Terra, ou um deles, ao menos. E muitos de nós vão envelhecer e morrer sem conseguir chegar sequer ao Oiapóque, aqui mesmo no Brasil. Mesmo com toda a tecnologia dos transportes atuais, a Terra continua sendo grande. Grande pra cacete. Mas grande o quanto, exatamente?
Voltemos à formiguinha no jardim. Uma formiga vive entre 8 e 10 anos, dependendo da espécie. Que sejam 10 anos, vai. Em dez anos, quantos jardins ela conseguiria atravessar? Formigas não são como nós (dã!) elas são praticamente incansáveis. Talvez uns 50 jardins, sem parar. Algo como 500 m2. Essa distância percorremos facilmente em 15 minutos, por aí.
Eu tô tentando traçar um paralelo entre a imensidão que nos cerca e a imensidão de alguns jardins para uma formiga. Mas aí me veio a pergunta: qual a relação exata entre nós e nosso planeta? Sim, ele já foi medido e tem aproximadamente 510,3 milhões de km2. Isso é muuuito chão. Não dá pra imaginar o quanto isso é grande. Ou dá? Eis a questão.
Um modo de tentar visualizar essa grandeza é reduzindo-nos ao tamanho de uma formiga. Se fôssemos tão pequenos, qual tamanho a Terra teria? Como estamos somente fazendo um exercício de raciocínio, vou simplificar bastante as coisas. Um ser humano ocupa aproximadamente 1 metro quadrado de espaço, ficando de pé de modo confortável. Uma formiga ordinária, vamos supor que ocupe 5 milímetros quadrados. Beleza? Beleza.
Faz tempo que não faço contas desse tipo, mas não tem muito segredo. Transformamos tudo em milímetros e aplicamos a famosa regra de três, conforme o quadro abaixo:

Isso tudo é só para provar como somos insignificantes se comparados à grandeza da Terra. Ou muito menos ainda, se comparados à imensidão do universo. A pobre formiguinha então, nem se fala.
Bom, pra começar 2009 refletindo, nada como encerrar este post com as palavras do falecido cientista e astrônomo Carl Sagan, no belo vídeo abaixo. 8)
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