Eu Te Conheço?

Eu não consigo me concentrar. E talvez isso seja um motivo justo pro meu desleixo e impaciência quando tento desenhar algo. Eu não me apego a detalhes e detalhes são fundamentais na pintura, desenho ou qualquer outra forma de arte. Mas eu tento. Juro que tento.

A minha falta de concentração vai além da arte. Ela me atrapalha socialmente também. As pessoas começam a falar e, no início, até que consigo acompanhar o assunto. Mas se o papo vai um pouco mais além, minha cabeça já foi antes. A pessoa fica lá, contando suas agruras, suas aventuras, seus casos, suas piadas, tudo muito rico em detalhes, gestos, frases de efeito. Enquanto isso, minha cabeça começa a viajar totalmente fora do contexto do assunto. Aí, quando me perguntam “né?” ou “o que você acha?” ou algo do tipo, volto do limbo e tento pegar fragmentos do que foi dito e dar uma resposta decente. Quase sempre deixo transparecer que não prestei atenção em lhufas.

É uma situação muito chata. Pra mim e pra quem tá gastando saliva numa história que eu não acompanhei. Claro, não é sempre que acontece. Mas acontece e fico chateado com isso. Acho que eu tenho problema. Será que ainda existe aquele remédio?...Fosfosol?

Mas não é disso que eu quero falar. É quase. Eu tava lendo na Superinteressante (é, de vez em quando essa revista ainda faz jus ao nome) deste mês sobre uma doença da qual eu nunca tinho ouvido falar e acho que quase ninguém ouviu: Prosopagnosia.

Prosopagnosia é um distúrbio de uma área do cérebro que faz com que a pessoa não consiga reconhecer rostos. Esquisito né? Mas é isso mesmo. Ela reconhece objetos ou coisas, tudo o mais desse mundão de Deus, exceto rostos. O cérebro não consegue guardar essa informação específica.

Essa doença pode ser genética ou devido alguma lesão na cabeça. E há diversos níveis da doença. Desde a pessoa que precisa fazer um certo esforço pra reconhecer alguém que conheceu ontem, até a crônica - aquela que não é capaz de reconhecer os pais, os filhos e mesmo a imagem dela própria no espelho.

Veja bem, não é falta de memória. É “somente” a incapacidade de reconhecer rostos. A pessoa sabe quem é, sabe que tem parentes, amigos. Mas não consegue reconhecê-los pelo rosto. Quem tem a doença em suas formas mais brandas, acabam compensando essa deficiência se atendo a outras características da pessoa, ao invés do rosto. Como a voz, os gestos, corte de cabelo. Detalhes que lhe ajudem a reconhecer a pessoa no próximo encontro, como o tipo de sapatos que ela usa.

Pessoas que sofrem de prosopagnosia, em maior ou menor grau, acabam – obviamente – tendo problemas de relacionamento. Geralmente são rotuladas como pessoas antipáticas, orgulhosas ou arrogantes e acabam ficando solitárias. Tudo porque, quando cruzam com alguém conhecido, passam batido, mesmo se olhar pra pessoa. Numa festa, ela olha pra todos e não reconhece ninguém. Não é nada fácil.

Então que o site da revista também deu o link de um teste pra saber se você é bom em reconhecer rostos. Tem um pequeno questionário antes. Nada complicado. Clique aqui e faça o teste também.

Eu fiz o tal teste e consegui passar com mais de 90%. Que bom. Posso não me lembrar do papo furado. Mas, ao menos, sei quem é quem no meio de tanto blablabla.

0 comentários:

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial